Testes de Modificações Básicas

    Aumentar o desempenho original de um veículo sempre foi um grande anseio dos motoristas mais adeptos da velocidade. Em tempos de dinheiro curto, começam a pipocar no mercado diversas opções de baixo custo que prometem até 20% a mais de potência no veículo. Para esclarecer nossos leitores, resolvemos por a prova algumas das soluções mais oferecidas.

     O veículo testado foi um Ford Fiesta Glx 00, motor Zetec Rocam 1.6L, com 44.000 km rodados e em dia com todas as manutenções preventivas. O combustível era gasolina aditivada Shell com selo DNA Shell. Todos os testes de aceleração foram aferidos com velocímetro digital NÂO AFERIDO, portanto os números tem somente efeito comparativo. Conheça mais sobre o veículo neste link

    Vamos agora conhecer agora as modificações testadas:

1- Admissão: Troca do filtro de ar.
    Provávelmente esta é a modificação mais difundida para ganho de desempenho. Para tirarmos isso a limpo, fizemos 3 medições: Filtro original, Filtro esportivo replaceble K&N e sem filtro de ar. Os resultados foram surpreendentes. Confira:

Filtro Original Filtro K&N replaceble Sem Filtro de ar.
0-100 km/h 12,4s 12,7s 12,8s
0-550 m 21,3s 21,6s 21,8s

    Fica muito claro aqui que a melhor configuração para o desempenho é a configuração original de fábrica, e isso se explica pelo fato de que um veículo antes de ser lançado tem seu desempenho o mais otimizado possível pela montadora, dimensionando da melhor forma possível todos os componentes a serem usados. Confira na foto abaixo, o filtro original do Fiesta Rocam:

    De fábrica ele vem com uma densa espuma na parte inferior do filtro. Acreditamos que ela tenha duas funções básicas: aumentar a eficiência do filtro e principalmente restringir ainda mais a passagem do ar. Função que deve ter sido verificada nas milhares de horas de testes que estes motores sofrem antes de serem disponibilizados para o mercado.
    Portanto, no nosso caso, a melhor configuração é permanecer com o filtro original.

2- Queima: Retirada ou introdução de potênciometro em série com o sensor de temperatura:
    Ao abrir o classificado de peças para automóveis, verifica-se grande oferta de empresas oferecendo chips de baixo custo (em torno de R$ 100,00) que ficam externos ao módulo que prometem aumentar em até 20% o rendimento do veículo. Estes chips nada mais são do que potênciometros em série com o sensor de temperatura. Tá, mas e daí? Calma, eu explico: apesar do nome, o potenciometro nada mais é do que uma resistência elétrica de valor varíavel. Quando colocado em série com o sensor de temperatura do carro, ele descalibra o sistema e faz com que a injeção eletrônica leia que a temperatura no motor é menor do que a verdadeira. Para solucionar isso, a injeção eletronica enriquece a mistura ar/combustível injetando mais combustível, o que a longo prazo pode reduzir substancialmente a vida útil e carbonizar internamente o motor.
     O pior disso tudo é o resultado dessa modificação:

Sensor de temperatura original Sem sensor de temperatura
0-100 km/h 12,4s 12,9s
0-550 m 21,3s ---

    Devido a grande piora já no 0-100 do veículo, decidimos nem aferir o 0-550m. Mais uma vez a modificação não trouxe qualquer benfeitoria ao desempenho do veículo. Ainda para tentar equilibrar a mistura ar/combustível, testamos sem filtro e sem sensor. Confira:

Veículo original Sem sensor de temp. e filtro de ar
0-100 km/h 12,4s 13,1s
0-550 m 21,3s 21,7s

    Esse foi o pior resultado que obtivemos com o veículo em todos os testes.


Chicote do sensor de temp.


Sensor de temp.

3- Condicionador de metais: Militec-1:
    Ainda não tão famoso no mercado, esse é um produto que promete belos ganhos através da redução de atrito interna no motor. Ele age se fixando nos pontos mais quentes do motor formando uma película protetora que reduz o atrito nesses pontos. Com vários laudos favoráveis ao produto, decidimos arriscar e testá-lo para ver qual o ganho de desempenho.

    Fizemos a aplicação com o motor desligado e quente, e conforme a recomendação do distribuidor, rodamos por volta de 30 minutos para que o produto pudesse agir dentro do motor e refizemos os testes e infelizmente, depois dos testes anteriores, não obtivemos nenhuma surpresa. Novamente o desempenho do veículo ficou pior do que quando original. Confira:

Veículo original Com Militec-1
0-100 km/h 12,4s 12,7s
0-550 m 21,3s 21,7s

    Acreditamos que esse produto pode ter eficiência em motores de concepção antiga, como o VW-AP por exemplo. No caso do Zetec Rocam que conta com acionamento de válvulas roletado, o produto piorou o desempenho provávelmente por apenas ter diluído o óleo no cárter.

4- Conclusões:
    Verificamos que nenhuma das modificações trouxe resultados positivos para o veículo. Portanto fica aqui a recomendação que quando você for modificar alguma coisa no seu carro, não se baseie no 'achômetro', use o cronômetro para verificar o antes e o depois de cada modificação. Lembre-se que os fabricantes gastam milhões em pesquisa para lhe entregar um veículo otimizado sob todos os aspectos.

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22/12/2002 - Fiesta HP